Anjos Caídos

Santuário dos Caídos As portas do Velho Bazar de Antiguidades só abriam para aqueles cujas asas haviam sido cortadas. Escondido sob a névoa constante de uma metrópole esquecida, o lugar era o refúgio dos Caídos. Lá, sob o teto de vigas de ferro e vitrais estilhaçados, o tempo não passava da mesma forma. Uriel, antigo guardião das portas celestiais, agora operava o balcão. Suas cicatrizes nas costas ainda queimavam como brasas adormecidas sempre que um novo exilado atravessava o limiar. Foi assim quando Lyra entrou. Ela trazia as mãos sujas de poeira terrena e o olhar carregado da dor da perda: sua graça havia se dissipado ao salvar um mortal. —Você trocou o céu por poeira, garota— murmurou Uriel, servindo um chá de sabugueiro que aquecia almas geladas. —Troquei o infinito por um instante real— respondeu ela, tocando o pingente de bronze que restara de seu halo. Naquele refúgio, entre relógios parados e espelhos que não refletiam sombras, eles aprenderam que cair não significava o fim.