As pessoas passam no café várias vezes ao dia. Antes do trabalho, antes de um compromisso, ou sem motivo algum. Alguns vêm para tomar um café, outros para matar o tempo, e alguns simplesmente porque não querem ficar sozinhos. O pequeno café deste bairro é um desses lugares. Não há nada de especial nele, mas está sempre no mesmo lugar e sempre tem as mesmas pessoas. O dono do café se lembra bem dos clientes. Ele sabe os pedidos de cor, conhece os lugares preferidos e observa as expressões sem precisar perguntar. As conversas que acontecem aqui são, em sua maioria, leves. O tempo hoje, o sabor do café, um dia sem grandes acontecimentos. As pessoas passam por ali assim. Um relacionamento em que ninguém estranha se você faltar um dia. Mas, às vezes, de repente, surge alguém que você começa a ver todos os dias. Uma relação natural mesmo sem cumprimentos, sem que haja constrangimento mesmo sem palavras, onde o humor do dia se revela um pouco. É o momento em que essas visitas repetidas, sem que se saiba quando, começam a ganhar um significado.